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Dia&Dia

50 minutos depois do início do noticiário, sem nenhuma referência ao ponto de situação da pandemia, desliguei a TV. O COVID-19 deixou de abrir noticiários. Passou para as “letras miudinhas”. Não se passa nada. Apenas, ontem, pelos vistos, em Portugal, mais de 50.000 de novos infetados. Mas, no noticiário, só política. Perdão, foi notícia sim, a pandemia. Os especialistas na matéria, na saúde pública, os políticos, decidiram que é seguro, mas apenas para ir votar, deixar de estar obrigado ao confinamento, ao confinamento imposto aos infetados e aos contactos de risco. É seguro, para quem se cruzar com estes, para os membros das mesas de voto, para todos. Perante isto, será que alguém,  a partir de agora, vai levar a sério a obrigatoriedade de ficar em casa, caso teste positivo? Só mesmo quem estiver a passar mal, acho eu.

 

Se 50.000 casos positivos por dia, não é para levar a sério, então, não será para levar a sério, nem para ir votar, nem para outra coisa qualquer. Acabem lá, de uma vez por todas, com a treta das restrições.

Meio termo é proibido.

 

Pensar não é permitido.

 

Mesmo assim, tento, não comer o prato que me é servido, sem tentar perceber o que me está a ser servido.

 

As medidas restritivas, até aqui, eram fundamentadas na necessidade de conter os contágios, de modo a evitar o colapso no SNS, nos internamentos essencialmente.

 

Com esta nova variante, a escalada de infeções tem sido enorme, mas não se está a refletir em internamentos.

 

Logo, o fundamento das medidas restritivas, cai por terra.

 

Mas já se encontrou outro.

 

Não se sabe as consequências, a longo prazo, desta doença, portanto, é de evitar a infecção.

 

E assim, de restrições em restrições, se irá encontrar pretextos para as mesmas.

 

Agora, quanto à eficácia das vacinas, tão prontamente apontada, relativamente aos números verificados com esta nova variante.

 

Comparando com o ano passado, por esta altura, os números de internamentos e de mortes, se calhar até com um número de infetados inferior ao actual, eram muito mas muito superiores.

 

No ano passado, por esta altura, quase ninguém, em Portugal, sequer, tinha sido vacinado. Hoje temos cerca de 90% da população vacinada com o esquema inicial.

 

Logo, a conclusão, óbvia, é de que as infeções não se estão a refletir em internamentos, graças à elevada percentagem de vacinados.

 

Pormenor, Esta nova variante, é “importada”, da África do Sul, onde teve o mesmo comportamento, muita gente infetada, mas com pouco reflexo em internamentos e, neste país, a percentagem de vacinados, andará pelos 25% da população.

 

Enfim, se calhar, a vacina, pelo menos, no que respeita a esta variante, não estará a ser, assim de modo tão óbvio, a responsável por existirem menos casos graves, como nos querem fazer crer.

Em Março, talvez apenas porque sim, ou porque muitas vozes o exigiram, surgiu um plano, a conta gotas, de desconfinamento. Este tinha várias etapas e, a última, terminava a 17 de Maio.

 

Estamos a 27 de Maio.

 

Este continha umas “linhas vermelhas” que caso fossem ultrapassadas, nos concelhos, tinham como consequência o recuo ou a “estagnação”, desses concelhos, a nível de posicionamento numa dessas etapas.

 

Bom, mas desde 17 de Maio, como terminou aí a última etapa, desse plano e, segundo creio, não existe outro, não se percebe bem em  que estão a falar quando dizem que “se não cumprir os critérios estipulados nas linhas vermelhas, o concelho não avança no plano de desconfinamento”. Não avança para onde? Ou melhor, os que cumprem os critérios, avançam para onde?

 

Parece que alguém se esqueceu de elaborar a continuidade de um plano que terminou há dias!

 

Temos concelhos que cumprem todas as linhas vermelhas e mais algumas mas ficam na última etapa de um plano cuja última etapa de desconfinamento terminou há 10 dias.

 

Digamos que ficam no gargalo da garrafa.

 

Alguém se esqueceu (ou não) de lhe tirar a rolha!  

Noutro contexto alguém nos mandou fazer as contas.

 

Aqui, na realidade, embora não me considere, nessa matéria, a de fazer contas, pouco à vontade, não as consigo fazer.

 

E, embora exista uma regra, em direito, que diz mais ou menos que o desconhecimento da lei não desobriga ninguém de a cumprir, neste caso, confesso, tenho já uma certa “preguiça”, ao fim de 15 estados de emergência, em a ir consultar.

 

Bom, passo a explicar, em concreto, as minhas dúvidas.

 

Creio, até meados de Junho, na rua, sempre que não seja possível o distanciamento de 2 metros, temos que usar máscara.

 

Nas esplanadas, por exemplo, a partir de hoje, numa mesa podem estar 6 pessoas e, como é óbvio, se estiverem a beber ou a comer, estarão sem máscara.

 

A minha dúvida tem a ver com o distanciamento de 2 metros, nestas circunstâncias.

 

A mesa, dessa esplanada, terá que ter mais de 6 metros de cumprimento e cerca de 2 de largura, de modo a que as 6 pessoas estejam dentro das mesmas regras de quem anda na via pública? De modo a se protegerem do vírus e, de modo a cumprir a lei, ou nas esplanadas o vírus não se propaga, só “ataca” na via pública?

 

Enfim, são dúvidas métricas, que esta pandemia, me fazem ter.

Digamos que o tambor deste revólver tem muitas mais câmaras, mas a lógica é a mesma, numa delas está a bala.

 

É, por outras palavras, o que nos estão a dizer os especialistas e, que ainda assim, mantêm o “convite” à vacinação com a vacina que anda nas “bocas do mundo”.

Hoje António Costa, o nosso primeiro-ministro, vai reunir, ou está reunido neste momento, por videoconferência, com os presidentes de câmara dos nove concelhos que, os indicadores, como o próprio nome remete, indicam como os de maior risco Em Portugal neste momento.

 

Quando estamos a falar de risco, falamos do tema que não nos deixa há mais de um ano, de COVID-19.

 

O estranho é que nesta altura, quando falamos em concelhos de maior risco, surgem não os grandes concelhos, a nível de densidade populacional, mas de pequenos concelhos, no que se refere a esse capítulo.

 

Provavelmente, antes da participação nessa reunião, ouvi o presidente da câmara de Rio Maior, um desses concelhos, de facto dizer que estava preocupado com a situação da epidemia no seu concelho.

 

Não sei que valor o indicador de infetados nos últimos 14 dias por cem mil habitantes fixa para este concelho, mas para estar classificado nos nove piores, deve ser um valor muito preocupante.

 

Aliás, o autarca, promete fazer tudo o que estiver ao seu alcance, no sentido de que o seu concelho saia desta situação, entre outras coisas, estar bem atento a comportamentos desviantes.

 

A situação gravíssima em que o referido indicador coloca este concelho, pelos vistos, advém dos 45 casos activos neste momento no concelho.

 

45 casos em cerca de 26.000 a nível nacional.

 

Algo de errado se passa com estes indicadores, com os cálculos, com estes mesmos, os que estão a “orientar”, ou a desorientar, as nossas vidas neste momento. Começa a parecer o exemplo do frango e as médias.

 

Parece-me a mim, que sou um inculto na matéria, que sim, que é uma situação muito para lá do gravíssimo.

 

Sim, é para lá do gravíssimo, a situação da pandemia, mas principalmente o “estar muito atento a comportamentos desviantes”, agora por isto, amanhã por aquilo e, qualquer dia por coisa nenhuma, apenas porque sim!

No início deste ano comecei a sentir-me cercado.

 

Era um ali, outro acolá. O da loja tal, a filha da vizinha do andar X, a colega de Y.

 

Deixaram de ser números na TV ou na rádio.

 

Eram reais e tinham sido infetados.

 

Mais dia menos dia seria eu ou um dos meus.

 

Felizmente ainda não aconteceu e espero que não aconteça.

 

Esta era a sensação ou a realidade de cerco. Um cerco mau.

 

Hoje, começa a existir, outra sensação.

 

É um ali, outro acolá.

 

Que já foi vacinado.

 

Também estes números estão a deixar de o ser apenas na TV ou na rádio.

 

Conheço aquele dali ou aquele outro de além.

 

Este é um cerco bom.

Há uns dias largos que andava a evitar estar muito tempo em frente ao televisor.

 

Este serve pouco mais, para mim, do que apenas para me pôr a par das notícias.

 

Ultimamente, os noticiários, mais curtos, na rádio, têm, para mim, substituído bem os da televisão.

 

Como, em relação ao COVID-19, felizmente, o panorama, neste momento, esteja bem melhor que o pesadelo em cima de pesadelo que foi o mês de Janeiro, ontem caí na asneira de ligar a TV e, nada mudou.

 

Estava um comentador, no ecrã, muito indignado, muito senhor da sua verdade, não aos berros, mas a exprimir-se, de facto, de forma alterada e um pouco alto, contra a posição do outro comentador e, de todos os outros “estúpidos”, que defendem aquelas coisas, os “estúpidos”, acrescento eu, embora lá estejam implícitos, nos “tiros” que disparou para todo o lado, na sua argumentação.

 

Em causa, o continuar confinado ou desconfinar e, embora, existam fundamentalistas, dos dois lados, este, era do lado do confinar, um lado que, agora, como há um ano, os tem mais intolerantes, mais agressivos, pelo menos é o que me parece.

 

De repente, toda aquela argumentação, pareceu-me fora do tempo, aquilo, vai ser sempre usado, quer se esteja como se esteve em Janeiro, quer se esteja, assim como estamos agora, que não é bom, mas sempre estamos melhor, ou mesmo quando estivermos apenas com um caso e, não obrigatoriamente, grave.

 

Para uns parece que não existe nenhum dilema, se os casos de infetados baixam, com o confinamento, então, ficamos confinados.

 

Enfim, isto, está bem pior, do que ser do clube X ou do Y, de facto os argumentos são muito “acesos” e pouco esclarecidos.

 

Talvez, se eu tiver paciência, esperar mais uns tempos e, assim, quando voltar a ligar o televisor, já não tenha a sensação de estar a ver sempre o mesmo filme.

 

É que me assustei, ligo o televisor e, ao ver e ouvir aquele senhor, pensei que tinha andado um par de meses para trás.

Virologista, epidemiologista, pneumologista, Intensivista, médico de saúde pública, médico de saúde familiar, matemático. E creio, ainda deve faltar mencionar, nesta lista, uma ou outra especialidade. São profissionais destas áreas que no último ano têm entrado pelas nossas casas através da comunicação social. Que, de um modo ou de outro, também, têm decidido as nossas vidas.

 

Bom, diga-se em sua defesa que, no desempenho das suas profissões, também têm contribuído (e muito), para as salvar, as nossas vidas.

 

Mas quando um matemático, acredito, especialista em modelos a aplicar a esta pandemia, diz que, o desconfinamento tem que ser muito cauteloso, que, aponta caminhos, por exemplo, a reabertura de cabeleireiros e a venda ao postigo, que me perdoem estes senhores, mas que autoridade, que conhecimento científico, baseado nas suas especialidades, lhes permite decidir isto? Quais, já nem os sectores da economia, mas quase que decidem a reabertura de loja em loja.

 

Por muita razão que estes especialistas tenham, enfim, parece-me, que estão a decidir, ou a influenciar decisões, para além das suas competências.

 

É triste, estar a viver numa época, em que um matemático, decide quando eu devo ou não devo ir cortar o meu cabelo!

 

Será mesmo desta que deixo o COVID lá atrás? Espero que sim! Era bom sinal este assunto não ser assunto!

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