Nunca lhes aconteceu ouvirem algo, uma notícia, mas duvidarem de que tenham mesmo escutado aquilo?
Desconheço as realidades, as vivências, de África, de toda ela e, apesar de mais a miude, da África que em tempos ocupámos, nos vá chegando mais informação, admito, sou na mesma um “inculto” dessas realidades mais chegadas e, portanto, tenho noção de que a ideia que tenho dessas paragens seja uma ideia destorcida.
E, notícias, como a que ouvi, admito de igual modo, ainda ajudam menos a mudar a ideia que tenho.
Em Moçambique, há dias, uma vila foi atacada por terroristas. A população, a que consegui-o, fugiu.
Isto é o que tenho acompanhado pela comunicação social.
Hoje, um repórter, estava perto de um porto, noutra vila, cidade, ou o que for, noutra localidade em Moçambique, a assistir ao “desalfandegamento”, atenção que o repórter não disse ao desembarque, de refugiados, que tinham vindo por barco, dessa vila atacada.
Estava a assistir ao desalfandegamento de refugiados, de habitantes, do mesmo país.
Que fugiram da morte. Que demoraram, na viagem de barco, 24 horas para percorrer 400 quilómetros. E como tinham chegado de noite, só hoje, no dia seguinte estavam a desembarcar.
As autoridades a pedirem o papelinho, como se de uma viagem turística se tratasse, a desalfandegar o quê? Montaram um posto de alfândega para habitantes do mesmo país?
Justificação: Estão a despistar a possibilidade de entre eles, dos refugiados, vir algum terrorista.
Os africanos, em particular os moçambicanos, que me perdoem, mas isto é tão estranho, para não lhe chamar outra coisa.
Obrigar alguém a dormir num barco, sem condições, alguém que está a fugir da morte, que deixou tudo para trás, imagino, que está assustado, mal alimentado e, depois, ainda o estão a “desalfandegar”!
Bom, esperemos que as suspeitas das autoridades sejam infundadas, caso contrário, obrigaram as galinhas a dormir com a raposa.
E eu a pensar que, Portugal, as nossas autoridades, eram muito pró burocrata.