Há uns dias largos que andava a evitar estar muito tempo em frente ao televisor.
Este serve pouco mais, para mim, do que apenas para me pôr a par das notícias.
Ultimamente, os noticiários, mais curtos, na rádio, têm, para mim, substituído bem os da televisão.
Como, em relação ao COVID-19, felizmente, o panorama, neste momento, esteja bem melhor que o pesadelo em cima de pesadelo que foi o mês de Janeiro, ontem caí na asneira de ligar a TV e, nada mudou.
Estava um comentador, no ecrã, muito indignado, muito senhor da sua verdade, não aos berros, mas a exprimir-se, de facto, de forma alterada e um pouco alto, contra a posição do outro comentador e, de todos os outros “estúpidos”, que defendem aquelas coisas, os “estúpidos”, acrescento eu, embora lá estejam implícitos, nos “tiros” que disparou para todo o lado, na sua argumentação.
Em causa, o continuar confinado ou desconfinar e, embora, existam fundamentalistas, dos dois lados, este, era do lado do confinar, um lado que, agora, como há um ano, os tem mais intolerantes, mais agressivos, pelo menos é o que me parece.
De repente, toda aquela argumentação, pareceu-me fora do tempo, aquilo, vai ser sempre usado, quer se esteja como se esteve em Janeiro, quer se esteja, assim como estamos agora, que não é bom, mas sempre estamos melhor, ou mesmo quando estivermos apenas com um caso e, não obrigatoriamente, grave.
Para uns parece que não existe nenhum dilema, se os casos de infetados baixam, com o confinamento, então, ficamos confinados.
Enfim, isto, está bem pior, do que ser do clube X ou do Y, de facto os argumentos são muito “acesos” e pouco esclarecidos.
Talvez, se eu tiver paciência, esperar mais uns tempos e, assim, quando voltar a ligar o televisor, já não tenha a sensação de estar a ver sempre o mesmo filme.
É que me assustei, ligo o televisor e, ao ver e ouvir aquele senhor, pensei que tinha andado um par de meses para trás.