Volto ao tema, agora, numa nova versão.
Quem procura assegurar os direitos consagrados dos outros, como é óbvio, não pode ser censurado, muito pelo contrário.
Esta preocupação em assegurar o direito ao voto aos idosos em lares, agora, não sendo obrigatório a deslocação à mesa de voto, mas com a recolha do voto no local, não pode ser de modo algum censurável.
Mas, para quem acompanhou e acompanha, a situação, nos lares, durante esta pandemia, que está quase a chegar a um ano de existência e, sabendo das dificuldades em estes, os idosos, terem as visitas dos familiares, diminutas e com todas as medidas e mais algumas de segurança, em nome da sua proteção e bem, muitos dos casos, com acrílicos a separar uns dos outros, custa entender, esta facilidade de entrada nos lares de funcionários das juntas ou câmaras, para que os idosos possam votar, ou só os familiares é que são uma fonte de contágio?
Como ouvi dizer hoje, na rádio, um velhote que deste modo vai ter a possibilidade de votar: “podendo votar fico com a sensação de liberdade que não tenho tido nos últimos tempos”.
É pouco, não é, isto?
Em nome da nossa saúde, da nossa vida, ficar privado da nossa liberdade, durante meses a fio, deve ser duro.
Imagino, ninguém estará satisfeito com o papel que teve que assumir, nestas circunstâncias, como foi o caso das direcções técnicas destes lares, de um momento para o outro, terem que se transformar em directores de autênticas prisões.
Enfim, que de facto, as vacinas, sejam a solução, caso contrário, quem tiver o azar de ter que entrar aqui, num lar, cai numa armadilha, estes deixaram de ser locais recomendados, enquanto durar uma pandemia.
Não por culpa de ninguém, nem porque tratem mal alguém, mas na tentativa de evitar o vírus, na tentativa de proteger quem lá está, tornaram-se numa espécie de colmeias, mas, os ocupantes, são também uma espécie de “abelhas” sem asas.
Como dizia o professor Júlio Machado Vaz, num programa de rádio, colocando-se no papel de um idoso, mais ou menos isto: “Não pedi a ninguém para me proteger!”.