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Dia&Dia

Em Portugal quando acabarmos de vacinar os considerados prioritários não haverá mais ninguém para vacinar.

 

Todos se põem em bicos de pés a exigir que os considerem prioritários.

 

E lá vão entrando para a lista.

 

Agora são os bombeiros, forças policiais, militares e os titulares de altos cargos públicos.

 

Não questiono nem uns nem outros.

 

Mas se é porque representam “profissões” vitais, pelo mesmo critério, a menina da caixa do supermercado, o motorista que faz chegar os produtos às prateleiras do mesmo supermercado, o agricultor que os cultiva e por aí fora, também deviam ser considerados prioritários e, pronto, seria uma minoria os não prioritários.

 

O critério em outros países, o da idade, não seria o mais prático e eficaz, quando, provavelmente, neste momento, cerca de 90% dos internados, são idosos acima dos 70 anos?

 

Andar de grupo prioritário em grupo prioritário a vacinar, não será uma forma de dispersão, portanto, de arrastamento no tempo?

 

Que mania nós temos de complicar o que não devia ser complicado.

Amanhã faz um mês que iniciamos a vacinação contra o COVID-19.

 

Israel iniciou essa mesma vacinação uns 15 dias antes de nós.

 

Vacinou 30% da população.

 

Este “vacinou”, admito, não será com as duas doses completas.

 

Mas, pelo mesmo critério, nós vacinámos 3% da população.

 

A população dos dois países andará, mais milhão menos milhão, pelos mesmos números.

 

Enfim, são ritmos que, não interessam aqui debater.

 

O que não se percebe é, um mês depois de se ter iniciado a vacinação, ainda se ande a discutir prioridades, nessa mesma vacinação.

 

Mas durante quantos meses é que ainda estamos a pensar andar a vacinar prioritários?

 

Prioritário, como o próprio nome indica, são os primeiros, os primeiros de muitos outros.

 

Mas, o tempo passa e, nós não passamos dos primeiros a vacinar.

 

Ou os primeiros, no nosso caso, são a maioria, a base da pirâmide, ou há medida que o tempo passa, mais e mais são aceites como primeiros, ou então, somos apenas e só, muito lentos na vacinação.

Em outras circunstâncias que não são para aqui chamadas, quando não se tem mais nada que fazer, faz-se aquilo!

 

Será que nestas eleições, durante o dia, não se podendo fazer mais nada, foi-se votar?

 

Se a lógica foi a mesma, apenas porque não, à falta de melhor coisa para fazer, a motivação foi frouxa, portanto, o acto em si não terá sido muito “apaixonado”!

 

Não traduzindo, o bom augúrio, que à primeira vista, parecia espelhar,  nesta relação difícil, entre eleitores e eleições!

 

Mas, admito, talvez esteja enganado. O acto tenha sido mesmo convicto!

Numa semana em que as medidas de restrições de movimentos, portanto, de perda de direitos, em Portugal, eram revistas e aumentadas, quase diariamente. Nesta mesma semana, em que os números, que não são números mas pessoas de carne e osso, aumentaram e muito, em mortes, internados e infetados. Numa altura em que, peço desculpa pelo exemplo infeliz, quase só já falta, aos nossos decisores políticos, mandarem que nos cortem as pernas, para não sairmos de casa. Paralelamente, a este panorama negro, durante a semana, tivemos os candidatos à Presidência, não alienados perante tudo isto, antes pelo contrário, comentavam, sempre com um ar de muita preocupação, a gravidade do momento que estamos a viver, mas, no final, lá apelavam ao voto neste dia. Durante esta semana, parecia que, quanto pior melhor, quanto pior eram as notícias da evolução da pandemia em Portugal, mais se esforçavam nesse apelo.

 

Um responsável da CNE disse que achava , ou que na sua opinião, que acrescento eu, não sendo ele nenhum especialista em pandemias, de pouco valerá essa opinião, ou vale tanto como a minha, mas dizia ele: “Que ir votar era tão seguro ou mais do que ir a um supermercado”.

 

Não sei se terá razão ou não, nem contesto isso, nem me cabe a mim, de igual modo, contestar todas as medidas e mais algumas tomadas, como a banalização do Estado de Emergência, do dever de permanecer em casa, da proibição de circular entre concelhos, de fecho de escolas e creches, de fecho de muitos estabelecimentos comerciais e todas as outras, tomadas no sentido de conter a propagação desta pandemia.

 

O que é óbvio, para todos, é que neste quadro, não existem dois mundos, o das eleições e o da pandemia. Em que num estaremos imunes e, no outro, só em casa estamos a salvo.

Não questiono a necessidade das medidas.

 

Não deixa é de ser curioso que, instantes depois, de Marcelo Rebelo de Sousa, afirmar que não estamos numa ditadura, de dizer, mais coisa menos coisa, de que somos regidos pelas regras de uma democracia e, que portanto não se pode obrigar as pessoas a fazerem tudo e mais alguma coisa. Em suma, acrescento eu, cortar direitos atrás de direitos. Depois, o mesmo Marcelo, logo de seguida, esteja a afirmar, o seu total apoio, às medidas de ainda maior corte, a esses mesmos direitos, anunciadas pelo Governo, três dias ou quatro, após, desse mesmo Governo, ter anunciado outras tantas medidas no mesmo sentido. De novo, acrescento eu, dando a ideia, de um enorme desnorte.

 

Não questiono se, em nome da saúde pública, em nome de se ter que salvar vidas, a dita democracia tenha que ser metida dentro de uma  gaveta. Era bom é que fosse no tempo absolutamente e o apenas necessário. Não nos atirem é areia para os olhos. Neste momento não é possível ter as duas coisas  ao mesmo tempo e, não as estamos de facto a ter, democracia e medidas contrárias à mesma, em simultâneo, não é coisa que exista.  

No Brasil, a pandemia está descontrolada, a culpa, é do Presidente. Em Portugal, a pandemia, parece estar a ficar descontrolada, a culpa, é daqueles que não se sabem comportar. No EUA, a pandemia está descontrolada, a culpa, foi do Presidente. Em Portugal, a culpa, é dos portugueses em geral.

 

Assim, vai passando esta mensagem, com ou sem intenção.

 

Aqui, em Portugal, estamos no ponto em que, se eu ou alguém meu conhecido, fica infetado, nunca ninguém sabe como foi, talvez ao tocar numa maçaneta de uma porta ou algo do género e, os outros, ficam infetados, porque são uns estúpidos, não cumprem as regras.

 

Neste filme, existe o bom, o mau e o vilão, sendo este último, talvez, o vírus, que “ataca” o bom sabe-se lá como e, ataca o mau e, bem, porque é um estúpido.

 

O bom, vai sempre, procurar, na origem, do seu infortúnio, o comportamento, de algum mau, de algum estupido.

 

Digamos que, se calhar, esta, não será uma atitude muito mais inteligente, do que a desses tão proclamados estúpidos e, se forem bem a fundo, na sua pesquisa, talvez, encontrem na origem do seu infortúnio, também, na maior parte dos casos, a culpa em algum desses comportamentos, que tanto se censura aos outros.

 

Faz o que eu digo não faças o que eu faço.

 

Enfim, nada tendo a ver com as palavras anteriores, apenas como um desabafo, tenho saudades de ligar a televisão ou a rádio e, estas estarem “limpinhas” de especialistas em pandemia, de senhores de “bata branca”.

Volto ao tema, agora, numa nova versão.

 

Quem procura assegurar os direitos consagrados dos outros, como é óbvio, não pode ser censurado, muito pelo contrário.

 

Esta preocupação em assegurar o direito ao voto aos idosos em lares, agora, não sendo obrigatório a deslocação à mesa de voto, mas com a recolha do voto no local, não pode ser de modo algum censurável.

 

Mas, para quem acompanhou e acompanha, a situação, nos lares, durante esta pandemia, que está quase a chegar a um ano de existência e, sabendo das dificuldades em estes, os idosos, terem as visitas dos familiares, diminutas e com todas as medidas e mais algumas de segurança, em nome da sua proteção e bem, muitos dos casos, com acrílicos a separar uns dos outros, custa entender, esta facilidade de entrada nos lares de funcionários das juntas ou câmaras, para que os idosos possam votar, ou só os familiares é que são uma fonte de contágio?

 

Como ouvi dizer hoje, na rádio, um velhote que deste modo vai ter a possibilidade de votar: “podendo votar fico com a sensação de liberdade que não tenho tido nos últimos tempos”.

 

É pouco, não é, isto?

 

Em nome da nossa saúde, da nossa vida, ficar privado da nossa liberdade, durante meses a fio, deve ser duro.

 

Imagino, ninguém estará satisfeito com o papel que teve que assumir, nestas circunstâncias, como foi o caso das direcções técnicas destes lares, de um momento para o outro, terem que se transformar em directores de autênticas prisões.

 

Enfim, que de facto, as vacinas, sejam a solução, caso contrário, quem tiver o azar de ter que entrar aqui, num lar, cai numa armadilha, estes deixaram de ser locais recomendados, enquanto durar uma pandemia.

 

Não por culpa de ninguém, nem porque tratem mal alguém, mas na tentativa de evitar o vírus, na tentativa de proteger quem lá está, tornaram-se numa espécie de colmeias, mas, os ocupantes, são também uma espécie de “abelhas” sem asas.

 

Como dizia o professor Júlio Machado Vaz, num programa de rádio, colocando-se no papel de um idoso, mais ou menos isto: “Não pedi a ninguém para me proteger!”.

De cerca de 160.000 a 170.000 doses da vacina recebidas, 7.500 idosos, em lares, os até aqui considerados de maior risco, foram vacinados, em Portugal.

 

É certo que metade das doses ficam guardadas para uma segunda toma, mas apesar disso, seriam 80.000 doses, mais coisa menos coisa, disponíveis.

 

Então, dessas 80.000 doses, chegaram 7.500 ao grupo de maior risco, em duas semanas de vacinação.

 

Bom, ainda temos aqueles que cuidam destes, se calhar, mais umas 4.000 doses, disponibilizadas para este grupo e, o resto, como dizia o outro, é fácil, façam as contas, cerca de 70.000 foram disponibilizadas a grupos considerados prioritários, não necessariamente de alto risco, pelo menos, de risco bem inferior ao destes idosos.

 

7.500 por semana, sim porque, só na segunda semana, as vacinas começaram a ser administradas, em Portugal continental, aos idosos, residentes em lares, a este ritmo, significa, talvez, 3 a 4 meses, para vacinar este grupo, considerado de alto risco, isto, se outros grupos, agora na hora da vacinação, não forem considerados muito mais prioritários!  

Desde o início da vacinação, na União Europeia, que a mensagem que tem passado , é a de que existe equidade, na distribuição das vacinas, para todos os Estados membros.

 

O início dessa mesma vacinação, ao mesmo tempo em todos os Estados, foi um exemplo disso.

 

Hoje, uma terceira vacina, foi proposta para apreciação.

 

Será aprovada, em princípio, até ao final deste mês.

 

“ … será desta, maioritariamente, que dependerá a imunidade de grupo em Portugal”. Dizia, mais coisa menos coisa, o jornalista, ao anunciar o pedido de aprovação da mesma.

 

Será que se explicou mal, que quis dizer em Portugal e restantes países membros, ou de facto, para uns, existe maior percentagem de lotes das vacinas já aprovadas e, os outros, ainda estão à espera, para o arranque, a sério, da vacinação, de vacinas ainda não aprovadas?

 

Será que a equidade, simbolicamente, foi apenas no primeiro dia de vacinação?

 

Não! Não acredito! O jornalista não se deve ter explicado bem! É um problema estarmos atentos ao detalhe! Depois fazemos uma confusão dos diabos!

 

Qual é a diferença entre quem não pode sair porque está confinado por causa do vírus e os que estão confinados por causa do vírus e não podem sair?

 

Não existe diferença nenhuma pois não? Estão redondamente enganados! Existe sim!

 

Existirão os que vão votar e os que vão votar.

 

A comissão nacional de eleições diz que vão a casa recolher os votos de quem estiver confinado.

 

Mas afinal, uns vão ser autorizados a sair e, a outros, vão a casa recolher o seu voto.

 

A diferença estará entre estar infetado ou não.

 

O resultado final, de quem será o eleito, não interessa para aqui, mas se o vírus está assim tão perigoso, que justifique o confinamento geral e, não me cabe a mim questionar isso, creio, seguindo a lógica, o resultado final dessa exceção só poderá ser um aumento dos infetados.

 

Ou no Natal é que a coisa foi muito grave e aqui, para votar,  não é assim tanto?

 

Dizem, defendem, que estão asseguradas as condições de segurança, nos locais de voto. Mas essas mesmas condições, não são as que também foram impostas a outros locais e, a outros não foram, mas poderiam ter sido e, no entanto, mesmo assim, com essas condições asseguradas, nesses locais, transportes, restaurantes e etc., lá vamos, quase todos, para casa na mesma, não é verdade?

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