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Dia&Dia

Uma boa argumentação, para que não seja considerada estúpida, do estilo “porque sim”, deve ter cabeça, tronco e membros, caso contrário, ninguém a leva a sério, ninguém que se dê ao trabalho de pensar bem nela, no que acaba de ouvir.

 

“O Estado de emergência deverá ser renovado automaticamente, por mais quinze dias, para que se possa daqui a duas semanas avaliar o impacto do aligeirar das restrições no Natal, esperando que, não tenha acontecido em Portugal, o que aconteceu noutros países”, foi mais ou menos isto que eu ouvi o nosso primeiro-ministro dizer.

 

Bom, passando ao lado da questão de que não existem renovações automáticas de Estados de Emergência e, também a questão de a quem compete propor os ditos Estados, se é o governo ao Presidente, se é o contrário, pois se a proposta tem que vir de belém, era já estar a pôr o carro à frente dos bois, mas para o caso isto é irrelevante, ambos estão em sintonia. O que não se consegue perceber muito bem nesta argumentação, ou mais propriamente, nesta fundamentação para a coisa em si, é como é lógico e científico, de facto, só daqui a alguns dias, as ditas duas semanas, se conseguirá avaliar o que se passou no Natal, ou seja, se existirá algum agravamento no número de infetados relacionado com o comportamento na época natalícia, portanto, até aqui, seguindo a linha de raciocínio do nosso primeiro-ministro, nada a apontar. Onde ele falha redondamente, onde a argumentação se esvazia como um balão a perder o ar, é quando diz “como aconteceu noutros países”. Se se necessita de 15 dias, duas semanas, para avaliar as consequências, aqui, como em qualquer parte do mundo, se é necessário deixar passar 15 dias após o Natal e, este foi a 25, acho eu, em todo o lado (ou quase em todo o lado, nalguns locais, ainda vai ser), como é que ele pode argumentar “como aconteceu noutros países”, dando a entender que nestes, nesses outros países, a coisa correu muito mal, se hoje ainda nem passou uma semana do Natal, portanto, aqui, como nesses outros países, ainda não se pode avaliar coisa alguma relacionada com o Natal!

Lá atrás, noutro dia, já abordei este tema, mas tenho que voltar a ele.

 

Segundo percebi, grupo de risco, quanto a ser considerado prioritário, na vacinação, seriam todos aqueles que pela sua debilidade física estão mais sujeitos, quando infetados, a maiores complicações, portanto, nesta categoria, estarão os idosos, não só mas principalmente, residentes  em lares.

 

Aceito, compreendo, que, sejam considerados, não de risco, mas prioritários, os profissionais de saúde, aqueles que tratam directamente doentes com COVID (aliás como tinha sido anunciado), pela exposição ao vírus, não por serem debilitados fisicamente.

 

O que já não se compreende assim muito bem é que até aqui, estes, eram poucos para nos tratar (e acredito que são mesmo) e, agora para receberem a vacina são muitos e muitos.

 

Ou será que, independentemente, do seu serviço, todo o profissional de saúde tem direito a ser vacinado, antes dos ditos grupos de risco?

 

Até aqui, na comunicação social, o problema maior eram os lares, chegou a ser defendido, em meados de Março, a proibição das visitas dos familiares, até que fosse descoberta uma vacina, quando nem se sabia se esta ia surgir e, agora, sempre estou para ver quando esta lá começa a chegar, assim com estes milagres da multiplicação, dentro de cada categoria.

 

Das seis mil e tal mortes em Portugal, não fazendo disto um concurso mórbido, quantos eram idosos e quantos eram profissionais de saúde? Creio, que a ideia, é evitar que as pessoas cheguem às mãos dos profissionais de saúde e, deste modo, estes deixem de estar expostos, deixem de estar em risco e não o contrário.

 

Enfim, com mais ou menos percalços, que o processo corra bem, é o desejo de todos de certo!

Com esta pandemia tivemos novos heróis. Mas heróis que o foram (e estão a ser) porque não sabem fazer outra coisa. Estão a fazer o que sempre fizeram. E muitos deles, quase todos, digamos, não são heróis à força, mas por necessidade, necessidade em manter uma família, em pagar as contas, em continuar a trabalhar.

 

Os óbvios e, muito referenciados, com justiça, claro, são os auxiliares, os enfermeiros, os médicos, digamos, os que estão na linha da frente desta batalha, os profissionais de saúde. Mas não menos importantes, são os esquecidos, desde a menina da caixa do supermercado, aos motoristas. E aqui, a estes últimos, é que todos nós, mas principalmente os governos, se estão a portar muito mal, veja-se o que se está a passar no Reino Unido.

 

Se não fossem estes, em Março e meses subsequentes, fazerem-nos chegar a “comida à mesa”, enquanto todos nós estávamos metidos em casa, se não fossem estes, com o risco de serem contagiados, continuarem a circular por todo o lado, não tínhamos sobrevivido. Estes mantiveram as cadeias de distribuição activas com o seu trabalho. Os bens essenciais chegaram até nós porque eles não pararam.

 

E agora, um governo, o de França, com o “assobiar para o lado” dos outros, assim, numa atitude básica, que não irá impedir nada, mas numa resposta ao tentar impedir a propagação de uma mutação do COVID, fechou as fronteiras, com o Reino Unido e, aprisionou, ali, centenas e centenas de motoristas, de várias nacionalidades, que estavam a fazer o que sempre fizeram, manter a cadeia de distribuição activa.

 

Enfim, em qualquer altura seria condenável, mas nesta altura então é imperdoável, condenar estes profissionais a passarem o Natal na cabine do seu camião, longe de casa.

 

A conta gotas, parece, foi retomada a circulação. Mas a ingratidão, no mínimo, essa, foi demonstrada.

 

Como nota de rodapé, é de referir que, de Portugal, durante um ou dois dias, perante testemunhos emotivos e desesperados de motoristas portugueses, escutados na comunicação social, apenas diziam, as autoridades competentes, em comunicado, de que estavam a acompanhar o caso. De certo, não dentro de uma cabine de um camião, a quilómetros de suas casas, como estes heróis esquecidos.

Até aqui para mim, pelo o que entendia das notícias, os grupos da população, os primeiros a receber a vacina, seriam os de risco, portanto, os prioritários.

 

Achei, mas pelos vistos mal, que um grupo de risco, será aquele que apresenta maior mortalidade, ou que pelo menos, é mais vulnerável.

 

Neste pressuposto, claro, os prioritários, seriam os idosos e quem trata deles em lares. Uns por razões óbvias e os outros por serem potenciais portadores do risco junto dessa população.

 

Mas não é assim.

 

Os prioritários, em Portugal, são os profissionais de saúde e, mesmo assim, nem todos, apenas, para já, os do SNS.

 

De 70.000 doses, vão todas para estes profissionais, portanto, é de acreditar que , 35.000 destas pessoas tratam doentes COVID e, pelas contas apresentadas, são ainda apenas 60% do total.

 

Resta esperar que depois destas doses, as próximas a chegar, comecem de facto ser administradas a grupos de risco.

 

No Reino unido, a primeira pessoa vacinada, não me pareceu ser uma profissional de saúde.

 

Enfim, são critérios, critérios, díspares.

Não tenho bem a certeza, já perdi a noção do tempo, mas creio que o reino unido iniciou a vacinação há duas semanas. Na primeira semana, ou nas duas, para o caso é irrelevante, tinha dado a primeira dose de duas, a cerca de 120.000 cidadãos.

 

Portugal, segundo tudo aponta, até o dia 27 deste mês, recebe 10.000 doses da mesma vacina Um número simbólico, referem as autoridades.

 

Ora bolas para o simbolismo! Começo a perceber porque é que uns saíram da UE!

Não é por nada mas há muito que chateia!

 

Não pode fazer isto, não pode fazer aquilo, se fizer aqueloutro, só pode fazer desta maneira!

 

A estas horas, não, mas naquelas, sim!

 

Sempre a apelar à nossa responsabilidade! Portanto, há muito que cheguei à conclusão, de que se as coisas correm mal, claro, é porque nos acha irresponsáveis!

 

Chegou ao cúmulo de nos dizer que na Ceia de Natal devemos estar pouco tempo à mesa!

 

Enfim, sinceramente, sem qualquer ressentimento, desejo um Feliz Natal, em isolamento profilático e, sem mais consequências, a este senhor, que por aquilo que nos passou o tempo todo a transmitir, com toda a sua certeza, terá sido irresponsável, portanto!

 

Bom, abraços e distanciamento social, devem ser incompatíveis, não?

 

Faz o que eu digo não faças o que eu faço!

 

Digamos, Deus escreve direito por linhas tortas, não?  

Pensava que estávamos a viver momentos aflitivos por causa desta pandemia.

 

Mas se calhar não.

 

A autorização das vacinas, na União Europeia, tinha dia marcado.

 

No Reino unido, desde a semana passada, a autorização e a consequente vacinação já são uma realidade. Nos EUA, desde ontem. No Canadá, Israel e Arábia Saudita, também parece que sim.

 

Então, abrindo uma excepção, como se este tempo que estamos a viver não fosse de excepções, quem decide estas matérias, na UE, lá parece que condescendeu reunir uma semana antes da data marcada inicialmente.

 

Costuma-se dizer que há silêncios ensurdecedores e, neste caso, com anúncios sucessivos de países a autorizar a vacina, o anúncio de que isto ia ser decidido apenas no dia 29 do corrente ano, apresentado pomposamente, como uma grande coisa, na UE, à medida que nos apercebíamos que ainda faltava tantos dias, creio, foi deixando, no ar, um silêncio, de espanto, de boca aberta, de incompreensão, perante a aparente supremacia da burocracia versus a saúde pública.

 

O pior cego é aquele que não quer ver.

 

Será que alguém acredita mesmo que foi um caso pontual? Foi de facto porque acabou por morrer em consequência.

 

Voltar, para espancar, infelizmente dirá quem espancou, até à morte, foi um acto premeditado e feito com sentimento de impunidade. Só de quem o praticou? Ou de mais uns tantos?

 

Não se pode confundir a árvore com a floresta, dizem uns agora! Certo, mesmo admitindo que não é uma prática, a floresta nunca viu nada? Foi um caso pontual e único? Foi, a pessoa espancada, infelizmente, dirá quem espancou, morreu.

 

Ficou a prova!

Não sei se esta máxima surgiu no mundo do futebol, se é coisa “importada” de outro lado, dos militares, apenas sei que, em política, não funciona muito bem, ou funciona mas então o defeito é mesmo do “intérprete” que a tenta aplicar. Depois, arrogância e liderança, não são a mesma coisa, não sei se alguns são arrogantes para tentar passar uma imagem de capacidade de liderança, para ocultar fraquezas, de que eles é que sabem, ou são mesmo arrogantes e pronto, mas de uma maneira ou de outra, a única imagem que conseguem passar assim, é a de falta de humildade, de não admitir erros, a de não saber ouvir, portanto, de uma certa (ou muita) estupidez.

 

Não é meu hábito ser assim, tão pouco tolerante, não gosto de etiquetar ninguém, acho que todos nós temos um pouco de tudo, uns mais de uma coisa que outros, é um facto. Contudo, uns, por vezes, abusam na insistência em serem apenas de um modo, ou por uma questão de imagem de marca escolhida, ou mesmo por que são assim.

 

Enfim, enfiará a carapuça aquele a quem ela lhe servir, mas isto tudo, esta minha falta de tolerância, a propósito de uma conferência de imprensa que ouvi há poucos dias onde se disparou contra tudo e contra todos e, perante um caso gravíssimo, não se assume uma única falha.

 

Uns são assim, mas disfarçam, outros, não disfarçam nada, aliás, parece que gostam mesmo de ser assim.

“ … As primeiras doses distribuídas e administradas em simultâneo em todos os estados membros …”. Foi isto, mais coisa menos coisa, que ontem disse António Costa. À primeira vista parece uma preocupação em não existir “filhos e enteados”. E é. Mas como fica explicito da frase, é, mas apenas para as primeiras doses disponíveis. A partir daí, se calhar, é o salve-se quem puder, a lei do mais forte!

 

Será? Espero que não. Que não existam entrelinhas nesta frase do primeiro-ministro de Portugal.

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