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Dia&Dia

De vez em quando, não dizer mal, também fica bem.

 

Principalmente da Administração Pública.

 

O SNS que estará dentro desta esfera, a de um serviço público, tem, neste capítulo, a da transparência, uma boa prática.

 

No SNS online, na nossa área do utente, temos entre muitas opções, uma rara, noutros serviços, a possibilidade de verificar quem acedeu aos nossos dados.

 

Descobri, por mero acaso, há uns anos.

 

Enfim, nessa altura, a descoberta, de um acesso que considerei abusivo, ilegítimo, não teve qualquer consequência, para a pessoa em causa.

 

Mas isso já nada teve a ver com o SNS.

 

Teve a ver com outras entidades, mais “esclarecidas”, que na posse da informação prestada pelo próprio SNS, que explicava em que condições os profissionais de saúde podem aceder a estes nossos dados, mesmo assim, não preenchendo, este acesso, nenhuma das condições referidas, considerou-o legitimo, porque sim, porque a pessoa em causa era médica.

 

Bom, retomando as boas práticas, neste capítulo, do SNS, ontem, após ter ido a um centro de vacinação e, pouco depois de facultar o meu cartão de cidadão, ao profissional de saúde, recebo uma mensagem no meu e-mail a dar-me nota de que os meus dados tinham sido consultados pelo profissional X.

 

Muito bem!

Em Março, talvez apenas porque sim, ou porque muitas vozes o exigiram, surgiu um plano, a conta gotas, de desconfinamento. Este tinha várias etapas e, a última, terminava a 17 de Maio.

 

Estamos a 27 de Maio.

 

Este continha umas “linhas vermelhas” que caso fossem ultrapassadas, nos concelhos, tinham como consequência o recuo ou a “estagnação”, desses concelhos, a nível de posicionamento numa dessas etapas.

 

Bom, mas desde 17 de Maio, como terminou aí a última etapa, desse plano e, segundo creio, não existe outro, não se percebe bem em  que estão a falar quando dizem que “se não cumprir os critérios estipulados nas linhas vermelhas, o concelho não avança no plano de desconfinamento”. Não avança para onde? Ou melhor, os que cumprem os critérios, avançam para onde?

 

Parece que alguém se esqueceu de elaborar a continuidade de um plano que terminou há dias!

 

Temos concelhos que cumprem todas as linhas vermelhas e mais algumas mas ficam na última etapa de um plano cuja última etapa de desconfinamento terminou há 10 dias.

 

Digamos que ficam no gargalo da garrafa.

 

Alguém se esqueceu (ou não) de lhe tirar a rolha!  

Na Quinta-feira passada, na conferência de imprensa, após o conselho de ministros, à pergunta do jornalista, se se mantinha o dever geral de recolhimento domiciliário, o primeiro-ministro disse que sim, que se mantinha  e, talvez para não ser apanhado totalmente em falso, acrescentou que sim, que o dever cívico de recolhimento se mantinha.

 

Ora, este, o dever de recolhimento, não mudou só de nome, mudou, segundo os especialistas, de cariz, mudou de obrigação para recomendação e, talvez fosse isto que o primeiro-ministro quis ocultar.

 

É feio.

 

O jogo das palavras.

 

Alguém tirou o tapete ao primeiro-ministro, ao não propor um novo estado de emergência, que cobrisse a última fase do plano de desconfinamento, onde todos os atropelos continuariam a ser possíveis, mas tentar enganar os portugueses, não fica bem.

 

“1. Dever cívico de recolhimento – com o fim do estado de emergência, acaba o dever geral de recolhimento domiciliário, mas o Governo determina o dever cívico de recolhimento. Algo que os constitucionalistas não sabem o que é, pois não existe essa figura jurídica.” In Público

Não percebo nada de jornalismo, portanto, não pretendo ensinar aquilo que não sei.

 

Mas gosto de assistir a uma entrevista que pareça uma conversa entre entrevistador e entrevistado.

 

Embora desconfie que o entrevistador terá um “guião”, uma lista de perguntas, gosto que aquilo pareça uma conversa.

 

Há dias, assistia uma dessas entrevistas e, tudo seguia o percurso normal, uma conversa fluida, mas chegados à última pergunta, esta “arranhou” os meus ouvidos e, estragou tudo. Afinal, estar ali um entrevistador de carne e osso ou uma máquina é a mesma coisa. Este, o jornalista, pelos vistos, fazia as perguntas mas não ligava nenhuma às respostas.

 

Perguntou, porque estava no “guião”, por último, sobre algo que, o entrevistado, já tinha acabado por responder, logo numa das primeiras questões, do jornalista, no início da entrevista.

 

Deu-me vontade de gritar:

 

- Acorda pá!

 

Enfim, até o entrevistado ficou meio atrapalhado e, lá se saiu com a mesma resposta dada de outra forma, de modo a “salvar” o entrevistador.

Noutro contexto alguém nos mandou fazer as contas.

 

Aqui, na realidade, embora não me considere, nessa matéria, a de fazer contas, pouco à vontade, não as consigo fazer.

 

E, embora exista uma regra, em direito, que diz mais ou menos que o desconhecimento da lei não desobriga ninguém de a cumprir, neste caso, confesso, tenho já uma certa “preguiça”, ao fim de 15 estados de emergência, em a ir consultar.

 

Bom, passo a explicar, em concreto, as minhas dúvidas.

 

Creio, até meados de Junho, na rua, sempre que não seja possível o distanciamento de 2 metros, temos que usar máscara.

 

Nas esplanadas, por exemplo, a partir de hoje, numa mesa podem estar 6 pessoas e, como é óbvio, se estiverem a beber ou a comer, estarão sem máscara.

 

A minha dúvida tem a ver com o distanciamento de 2 metros, nestas circunstâncias.

 

A mesa, dessa esplanada, terá que ter mais de 6 metros de cumprimento e cerca de 2 de largura, de modo a que as 6 pessoas estejam dentro das mesmas regras de quem anda na via pública? De modo a se protegerem do vírus e, de modo a cumprir a lei, ou nas esplanadas o vírus não se propaga, só “ataca” na via pública?

 

Enfim, são dúvidas métricas, que esta pandemia, me fazem ter.

O Homem apesar de se intitular e, de o ser sem dúvida, um animal racional, o único, talvez por isso, será também o único, ou dos únicos animais, que mata por matar, não apenas para se alimentar ou para se defender.

 

Há dias, uma menina de cerca de dois anos e meio, olhava, mais uma vez, admirada, para uma formiga no chão.

 

E, para além de querer apenas, mais uma vez, a atenção dos adultos que a acompanhavam, apontava para o chão e tentava chamar as coisas pelos nomes, não muito mal, chamando a formiga de “fomiga”.

 

E assim, aos poucos, lá vai, ao seu ritmo, descobrindo, este nosso admirável mundo, novo, para ela.

 

Mas, naquele momento, de descoberta, de outros seres vivos, alguém teve que acrescentar, outra descoberta, desnecessária, acrescentarei eu, de ser revelada, naquela altura, a uma criança daquela idade, o de se tirar a vida a outro apenas porque sim, ainda que o outro seja aquele minúsculo insecto.

 

Alegremente ensinou, a menina a pisar a formiga e, ainda de forma mais expressiva, mostrou o resultado.

 

A menina ficou a olhar, não queria sair dali, queria ver a formiga a andar outra vez.

 

Eu sei, era apenas uma formiga, mas para a menina, não,  era a “fomiga”, apenas e só.

Digamos que o tambor deste revólver tem muitas mais câmaras, mas a lógica é a mesma, numa delas está a bala.

 

É, por outras palavras, o que nos estão a dizer os especialistas e, que ainda assim, mantêm o “convite” à vacinação com a vacina que anda nas “bocas do mundo”.

Hoje António Costa, o nosso primeiro-ministro, vai reunir, ou está reunido neste momento, por videoconferência, com os presidentes de câmara dos nove concelhos que, os indicadores, como o próprio nome remete, indicam como os de maior risco Em Portugal neste momento.

 

Quando estamos a falar de risco, falamos do tema que não nos deixa há mais de um ano, de COVID-19.

 

O estranho é que nesta altura, quando falamos em concelhos de maior risco, surgem não os grandes concelhos, a nível de densidade populacional, mas de pequenos concelhos, no que se refere a esse capítulo.

 

Provavelmente, antes da participação nessa reunião, ouvi o presidente da câmara de Rio Maior, um desses concelhos, de facto dizer que estava preocupado com a situação da epidemia no seu concelho.

 

Não sei que valor o indicador de infetados nos últimos 14 dias por cem mil habitantes fixa para este concelho, mas para estar classificado nos nove piores, deve ser um valor muito preocupante.

 

Aliás, o autarca, promete fazer tudo o que estiver ao seu alcance, no sentido de que o seu concelho saia desta situação, entre outras coisas, estar bem atento a comportamentos desviantes.

 

A situação gravíssima em que o referido indicador coloca este concelho, pelos vistos, advém dos 45 casos activos neste momento no concelho.

 

45 casos em cerca de 26.000 a nível nacional.

 

Algo de errado se passa com estes indicadores, com os cálculos, com estes mesmos, os que estão a “orientar”, ou a desorientar, as nossas vidas neste momento. Começa a parecer o exemplo do frango e as médias.

 

Parece-me a mim, que sou um inculto na matéria, que sim, que é uma situação muito para lá do gravíssimo.

 

Sim, é para lá do gravíssimo, a situação da pandemia, mas principalmente o “estar muito atento a comportamentos desviantes”, agora por isto, amanhã por aquilo e, qualquer dia por coisa nenhuma, apenas porque sim!

1 Ano e alguns dias disto e, ainda temos no ecrã, um primeiro-ministro a explicar como nos devemos comportar numa esplanada: “Podemos tirar a máscara para beber o café e depois, podemos permanecer ali, sentados, mas temos que voltar a colocar a máscara”. Não percebi bem é se existe um tempo limitado para ingerir a bebida, se alguns segundos ou se temos direito a 1 minuto ou 2, antes de estarmos sujeitos, a uma advertência ou multa, por parte das autoridades.   

 

Acho que, tendo em conta, o vírus ainda permanecer por aí, isto, o de voltar a colocar a máscara, é uma questão de bom-senso.

 

Ele, o primeiro-ministro, acredito, não o faz por mal, mas não deixa de ser estranho ter um governante preocupado com coisinhas destas, a dizer-me o que devo fazer ou não, nisto, num simples acto quotidiano.

 

Bom, agora já sei, graças ao senhor primeiro-ministro, como me devo comportar numa esplanada, a partir desta Segunda-feira. Estou é sujeito a uma multa por estar ou por me dirigir para esta. Se não estou errado, ao fazer isso, estou a infringir o dever geral de permanecer em casa.

 

As esplanadas reabrem. Existem regras de como nos devemos comportar nesses locais. Só não temos é autorização para ir até esses locais, muito menos para lá estarmos.

 

O dever geral de permanecer em casa, creio, continua em vigor, as excepções previstas para sair, de igual modo, se não me engano, são as mesmas de sempre e, assim, depois temos esta contradição, a de alguns serviços reabrirem, devidamente autorizados, a conta-gotas, mas como os eventuais clientes continuam com o dever de permanecer em casa, em qualquer altura, se estiverem numa esplanada, num cabeleireiro, num museu etc., na realidade, estão a infringir a lei em vigor.

 

Nunca lhes aconteceu ouvirem algo, uma notícia, mas duvidarem de que tenham mesmo escutado aquilo?

 

Desconheço as realidades, as vivências, de África, de toda ela e, apesar de mais a miude, da África que em tempos ocupámos, nos vá chegando mais informação, admito, sou na mesma um “inculto” dessas realidades mais chegadas e, portanto, tenho noção de que a ideia que tenho dessas paragens seja uma ideia destorcida.

 

E, notícias, como a que ouvi, admito de igual modo, ainda ajudam menos a mudar a ideia que tenho.

 

Em Moçambique, há dias, uma vila foi atacada por terroristas. A população, a que consegui-o, fugiu.

 

Isto é o que tenho acompanhado pela comunicação social.

 

Hoje, um repórter, estava perto de um porto, noutra vila, cidade, ou o que for, noutra localidade em Moçambique, a assistir ao “desalfandegamento”, atenção que o repórter não disse ao desembarque, de refugiados, que tinham vindo por barco, dessa vila atacada.

 

Estava a assistir ao desalfandegamento de refugiados, de habitantes, do mesmo país.

 

Que fugiram da morte. Que demoraram, na viagem de barco, 24 horas para percorrer 400 quilómetros. E como tinham chegado de noite, só hoje, no dia seguinte estavam a desembarcar.

 

As autoridades a pedirem o papelinho, como se de uma viagem turística se tratasse, a desalfandegar o quê? Montaram um posto de alfândega para habitantes do mesmo país?

 

Justificação: Estão a despistar a possibilidade de entre eles, dos refugiados, vir algum terrorista.

 

Os africanos, em particular os moçambicanos, que me perdoem, mas isto é tão estranho, para não lhe chamar outra coisa.

 

Obrigar alguém a dormir num barco, sem condições, alguém que está a fugir da morte, que deixou tudo para trás, imagino, que está assustado, mal alimentado e, depois, ainda o estão a “desalfandegar”!

 

Bom, esperemos que as suspeitas das autoridades sejam infundadas, caso contrário, obrigaram as galinhas a dormir com a raposa.

 

E eu a pensar que, Portugal, as nossas autoridades, eram muito pró burocrata.

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